Educação Escolar de Pessoas com Surdez
- Atendimento Educacional Especializado
em
Construção
A
Educação Especial, na perspectiva inclusiva, com o serviço complementar do
Atendimento Educacional Especializado na escola/classe comum, oferece novas
possibilidades para as pessoas com surdez, em que a Libras e a Língua
Portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução. A educação escolar
de alunos com surdez, visa a pessoa com surdez, como ser humano descentrado, em
que seus processos perceptivos, linguísticos e cognitivos poderão ser
estimulados e desenvolvidos, tornando-os seres humanos capazes, produtivos e
constituídos de várias linguagens, com potencialidade para adquirir e
desenvolver não somente os processos visuais-gestuais, mas também ler e
escrever as línguas em seus entornos. Acreditarmos na nova Política Nacional de
Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, e não coadunamos com essas
concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem deficiência, pois, antes de
tudo, por mais que diferentes nós humanos sejamos, sempre nos igualamos na
convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas interações, por sermos
humanos.
O
problema da educação das pessoas com surdez não pode continuar sendo centrado
nessa ou naquela língua, como ficou até agora, mas deve levar-nos a compreender
que o foco do fracasso escolar não está só nessa questão, mas também na
qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. É preciso construir um
campo de comunicação e interação amplo, possibilitando que as línguas tenham o
seu lugar de destaque, mas que não seja o centro de tudo o que acontece nesse
processo.
Esse ser humano precisa ser
trabalhado no espaço escolar como um ser que possui uma deficiência, e que essa
deficiência provoca uma diferença e
limitações, que essa diferença e tais
limitações devem ser reconhecidas e respeitadas, mas não podemos justificar o fracasso nessa questão, em
virtude de cairmos na cilada da diferença, segundo (PIERUCCI, 1999).
Atendimento
Educacional Especializado para Pessoas com Surdez – AEE PS
O
AEE PS, na perspectiva inclusiva, estabelece como ponto de partida a compreensão
e o reconhecimento do potencial e das capacidades desse ser humano,
vislumbrando o seu pleno desenvolvimento e aprendizagem. As diferenças desses
alunos serão respeitadas, considerando a obrigatoriedade dos dispositivos
legais, que determinam o direito de uma educação bilíngue, em que Libras e
Língua Portuguesa escrita constituam línguas de instrução no desenvolvimento de
todo o processo educativo. Dessa forma, o AEE PS precisa ser
pensado em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações,
reducionismos; mas com uma ação conectada entre o pensar e o fazer pedagógico.
Para
efetivar o cotidiano escolar do AEE PS, aplicamos a metodologia vivencial, que
leva o aluno a aprender a aprender. Essa metodologia é compreendida como um
caminho percorrido pelo professor, para favorecer as condições essenciais de
aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue. Dessa
forma, o AEE PS respeita princípios pedagógicos essenciais, que garantem o
acesso às duas línguas obrigatórias para o atendimento do aluno com surdez,
mediante uma organização didática e metodológica do fazer aula especializada,
sob a autoridade técnica, humana e política do professor como responsável pela
mediação entre o conhecimento, o conhecedor e o conhecido num ambiente de
aprendizagem processual dialógico, no qual se devem oferecer possibilidades
infinitas para que ocorra a problematização, a experienciação, a
experimentação, a demonstração e as trocas circunstanciais, promovendo o
desenvolvimento social, afetivo, cognitivo e linguístico do aluno com surdez.
Para realizar essa simbiose, adotamos a
Pedagogia Contextual Relacional. O sentido dessa pedagogia encontra-se em
formar o ser humano, com base em contextos significativos, em que se procura
desenvolvê-lo em todos os aspectos possíveis, tais como: na vontade, na
inteligência, no conhecimento e em idéias sociais, despertando-o nas suas
qualidades e estabelecendo um movimento relacional sadio entre o ser e o meio
ambiente, descartando tudo que é inútil, sem valor real para a vida, conforme
Damázio (2005).
